(Atendimentos presenciais na Vila Madalena, em São Paulo e online)

Este artigo faz parte da série "Ansiedade, depressão, estresse e outros sofrimentos emocionais", uma sequência de textos sobre diferentes formas de sofrimento emocional observadas na prática clínica.

Aspectos típicos da experiência humana:

A pessoa chega dizendo que está cansada, mas não consegue dormir.

“Eu deito e minha mente não desliga.”

“Meu corpo está exausto, mas eu não consigo pegar no sono.”

“Parece que a noite é quando tudo fica mais intenso.”

Em muitos casos, isso não começa como um problema de sono.

Começa como ansiedade e vai se transformando em um estado contínuo de ativação ao longo do dia.

Quando isso se mantém por um período, o corpo perde a capacidade de “desligar”.

O QUE É INSÔNIA NA EXPERIÊNCIA REAL

Na prática clínica, insônia não é apenas dificuldade de dormir.

Ela aparece como uma dificuldade de transição entre estados internos: entre estar em alerta e estar em repouso.

A pessoa continua funcionando mentalmente mesmo quando o corpo já está parado.

Isso pode se manifestar como:

  • dificuldade para pegar no sono

  • acordar várias vezes durante a noite

  • despertar muito cedo sem conseguir voltar a dormir

  • mente acelerada ao deitar

  • sensação de alerta mesmo em repouso

  • sono leve que não recupera

Em muitos casos, não é o corpo que não sabe dormir.

É o sistema interno que não consegue mais reconhecer segurança suficiente para desligar.

A RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA, ANSIEDADE E ESTRESSE

Como mostro na sequência de textos neste site sobre sofrimento emocional e vida contemporânea, a insônia não aparece isolada.

Ela costuma ser um desdobramento de estados como ansiedade e estresse constante.

👉 Como explicado no artigo anterior sobre estresse:

https://www.tiagocolladobastos.com.br/Post/43857

O corpo entra em estado de antecipação durante o dia, e esse funcionamento não se interrompe à noite.

O momento de deitar deixa de ser descanso e passa a ser encontro com tudo o que não foi processado.

O CICLO DA INSÔNIA

  • durante o dia: tensão e antecipação

  • à noite: tentativa de desligar

  • ao deitar: aumento da atividade mental

  • frustração por não dormir

  • mais ativação

O próprio esforço para dormir alimenta a dificuldade de dormir.

O DESCANSO QUE NÃO ACONTECE INTERNAMENTE

Muitas pessoas passam horas na cama, mas não acessam um estado interno de descanso.

O corpo está parado, mas o sistema continua ativo.

  • sensação de estar “ligado por dentro”

  • pensamentos contínuos

  • sono leve e fragmentado

  • cansaço ao acordar

O sono existe como tempo, mas não como experiência restauradora.

UMA LEITURA CLÍNICA DESSE PROCESSO

Na Gestalt-terapia, esse padrão é entendido como uma dificuldade de transição entre estados de contato:

ação → pausa → repouso

Quando essa transição se perde, o organismo permanece em estado intermediário.

O trabalho clínico não é forçar o sono, mas ampliar a consciência do que mantém o sistema em alerta.

QUANDO A NOITE VIRA O MOMENTO MAIS INTENSO

Para muitas pessoas, é à noite que a mente mais acelera.

Isso acontece porque o silêncio reduz distrações, e tudo o que foi evitado durante o dia emerge.

Não como pensamento aleatório, mas como experiência não processada.

O QUE COMEÇA A MUDAR NA TERAPIA

O foco não está apenas em dormir melhor, mas em reorganizar o funcionamento ao longo do dia:

  • reconhecer padrões de ativação

  • perceber antecipações mentais

  • reduzir estado de alerta contínuo

  • criar transições internas mais suaves

O sono passa a ser consequência, não objetivo.

QUANDO A INSÔNIA SE MANTÉM

  • exaustão constante

  • irritabilidade

  • dificuldade de concentração

  • sensação de esgotamento emocional

  • perda de recuperação ao acordar

PARA ONDE ESSA SEQUÊNCIA CONTINUA

Ao longo desta série, ansiedade, estresse, insônia, crises de pânico, burnout e autocrítica excessiva aparecem como diferentes formas pelas quais o sofrimento emocional pode se organizar.

O próximo artigo aprofunda a experiência das crises de pânico e os momentos em que o corpo entra em estado de alarme sem uma ameaça aparente.

👉 Próximo artigo – Crise de pânico: por que o corpo entra em alarme sem aviso

https://www.tiagocolladobastos.com.br/Post/44121

👉 Artigo anterior – Estresse constante: por que parece que você nunca descansa de verdade?

https://www.tiagocolladobastos.com.br/Post/43857